Abertura da Exposição ‘500 anos de alemães no Brasil’

Publicado em 13/05/2014 em http://hdbr.hypotheses.org/5043

Fala de José da Silva Simões
na abertura da Exposição 500 anos de alemães no Brasil,
na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin,
em 07/05/2014

Imagem de MARTIUS, Carl Friedrich Philipp von - Nova genera et especies plantarum, 1824. vol. 2.
Imagem de MARTIUS, Carl Friedrich Philipp von.
Nova genera et especies plantarum, 1824. vol. 2.
Acervo da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, USP.

Em uma época em que as palavras escritas parecem ser efêmeras, parece surpreendente que continuemos a nos dedicar aos livros.

Parece estranho colecionar palavras encerradas em arcas, que à distância parecem um revestimento de parede inerte, estático, insólito, obscuro. Em minha carreira de leitor o fascínio por essas arcas mágicas sempre me mostrou que elas tinham vida. Sei que esse fascínio é comum a muitos de nós que nos reunimos aqui para celebrar o registro da memória. Como professor de crianças e adolescentes durante duas décadas, muitas vezes tive a felicidade de ver esse mesmo fascínio nos olhos de meus alunos, investigando-os como objetos inicialmente inertes e obscuros, mas transformando-se em borboletas coloridas como aquelas ali de Carl Friederich Philipp von Martius, tão logo os abriam para a leitura curiosa.

Hoje eu tenho a honra de ajudar a exibir aqui uma preciosa coleção de olhares sobre o nosso país. As imagens que veremos nesta exposição são como um espelho de nós mesmos. Estão apenas emolduradas pelos amigos de outras terras que nos visitaram e que desde o princípio insistiram em dizer que esse país era uma história verdadeira. Ontem, durante a montagem da exposição, dei-me conta de que os três primeiros livros que estão na entrada da exposição, de Hans Staden, Sebastian Franck e Ulrich Schmidel têm o mesmo adjetivo em seu título: wahrhaftige Historia, wahrhaftige Beschreibungen, warhafftige und liebliche Beschreibung… Deve ter sido um protocolo quinhentista insistir que o que ali se narra não é ficção, mas sim a pura e fascinante realidade do que éramos e do que ainda somos. Imagino que ler Hans Staden no século XVI precisasse mesmo da chancela do gênero jornalístico da época, era preciso acentuar que aquilo tudo era verdadeiro e não obra da imaginação de um viajante enlouquecido.

MARTIUS, Carl Friedrich Philipp von - Beitrãge zur Ethnographie und Sprachenkunde Amerika’s zumal Brasiliens, 1867. vol. 1.
Imagem de MARTIUS, Carl Friedrich Philipp von.
Beitrãge zur Ethnographie und Sprachenkunde Amerika’s zumal Brasiliens, 1867. vol. 1.
Acervo da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, USP.

Isso tudo que digo não teria sentido se eu não lembrasse aqui quem nos permite hoje o prazer de ver tantas verdades reunidas: o Dr. José Mindlin e sua esposa, Sra. Guita Mindlin, aqui representados por sua família, as senhoras Betty Mindlin, Diana Mindlin e Sonia Mindlin e o Sr. Sérgio Ephim Mindin. Nem preciso dizer o quanto gostaríamos que eles estivessem aqui para ver como dispusemos algumas de suas preciosidades, como reorientamos o olhar que estes livros atraem, como eles fazem sentido de conjunto assim alinhados. É como uma brincadeira infantil de dispor todos os impressos que temos em casa como uma pequena feira de livros: a velha estratégia de ler um livro por suas imagens ou de atrair leitores pelo lúdico que lhes é próprio. Esta universidade tem um dívida impagável com a família Mindlin e fico contente que o produto dessa dívida sejam peças tão preciosas. Se não me engano e se não aprendi errado a lição, quando deixamos de ser colônia de Portugal, creio que uma das primeiras dívidas externas do Brasil foi uma lista interminável de preciosíssimos livros que hoje vivem na nossa riquíssima Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Que dívida linda!

E por falar em dívida, não posso deixar aqui de pagar o meu soldo àqueles que nos inspiraram a rearranjar este conjunto de livros alemães assim como estão. Quero agradecer enormemente à Profa. Dra. Maria Clara Paixão de Sousa pelo convite tão honroso que me fez para participar deste projeto de catalogação de obras alemãs sobre o Brasil em 2009. Permito-me aqui a ler uma parte do que ela escreveu sobre este simpósio+exposição em seu blog de humanidades digitais. Ela diz:

“Esses pesquisadores chegaram, magistralmente, a um objetivo que poucos atingem (um objetivo a que poucos, de fato, almejam): transformaram uma latência em uma potência. Ou seja: transformaram o tesouro escrito em alemão encerrado no acervo da Brasiliana Mindlin da USP em um universo vivo, trabalhável, muito além da latência – transmutação, que, afinal, é própria do milenar ofício da tradução, e do muito mais recente ofício da digitalização”.

Querida Maria Clara, essa transmutação só foi possível pela energia que você depositou sobre nós.

KOCH-GRUNBERG, Theodor - Vom Roraima zum Orinoco [...], 1917. vol. 1. Acervo da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, USP.
Imagem de KOCH-GRUNBERG, Theodor.
Vom Roraima zum Orinoco […], 1917. Vol. 1.
Acervo da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, USP.

A ideia de trabalhar com a iconografia desses livros é originalmente da bibliotecária Daniela Pires. Maria Clara e eu somos mensageiros acadêmicos dessa linda ideia de Daniela. A ela agradeço imenso pela sua dedicação aos alunos da Área de Língua e Literatura Alemã, hoje aqui representados por Luciana de Fátima Cândido, Gabriela Kühnel e os mais recém-chegados ao projeto e não menos engenhosos amantes dos livros Olívia Yumi e Luiz Fernando da Costa Leite. Estão ausentes hoje os alunos Jonatas Amaral e Luiz Ricardo Gonçalves. Os dois estão vivendo agora na Alemanha, fizeram a viagem de volta dos livros. Devem estar contando lá do outro lado do oceano tentando convencer aos alemães de além mar que somos uma história verdadeira, eine wahrhaftige Geschichte. Todos se destacam pela maestria da bibliotecária-mor, a nossa querida Cristina Antunes, dona das histórias para além das histórias que esses livros retratam e que hoje à tarde vai nos brindar com seu relato sobre como se construiu uma brasiliana alemã na biblioteca mágica dos Mindlin. A todos eles agradeço enormemente a dedicação das últimas semanas que culminam no que se vê exposto aqui, fruto de um trabalho cuidadoso feito desde 2010.

Agradeço a presença dos curiosos, porque deles é o reino da Ciência. Sem curiosidade não há perguntas. Sem perguntas não há Ciência.

Agradeço ao Instituto Martius-Staden, ao Sr. Ekhard Kupfer pelo empréstimo dos 15 almanaques, Kalender, produzidos por imigrantes alemães no sul do Brasil e também à Sra. Ana Rüsche, criadora do lindo logotipo deste evento. Sua inventividade fez caber 500 anos de relações entre povos de língua alemã em uma imagem que retrata um óculos que nos faz enxergar o Brasil pelo olhar alemão. Agradeço à diretoria da Biblioteca Guita e José Mindlin, ao Prof. Dr. Carlos Guilherme Mota e à Profa. Dra. Giuliana Ragusa pela presença e pela anuência em favor da realização desta exposição.

 A exposição ficará aberta de hoje até o mês de julho. Muito obrigado pela presença de todos e convido-os a passarem ao Auditório István Jancsó, que carrega o nome do professor desta universidade que juntamente com o Dr. Mindlin viabilizou o início da viagem mágica dos livros do Brooklin até o Butantã. O simpósio acontece nestes dois dias com a presença de convidados meus e da Profa. Celeste Ribeiro de Sousa, minha colega do programa de pós-graduação da Área de Língua e Literatura Alemã. Obrigado.

      • Maria Arminda do Nascimento Arruda
      • Betty Mindlin
      • Diana Mindlin
      • Sérgio Ephim Mindlin
      • Sonia Mindlin

Ai, palavras, ai palavras,
que estranha potência, a vossa!
Ai, palavras, ai palavras,
sois o vento, ides no vento,
e, em tão rápida existência,
tudo se forma e transforma!

Sois de vento, ides no vento,
e quedais, com sorte nova!
Ai, palavras, ai palavras,
que estranha potência, a vossa!

Todo o sentido da vida
principia à vossa porta;
o mel do amor cristaliza
seu perfume em vossa rosa;
sois o sonho e sois audácia,
calúnia, fúria, derrota…

A liberdade das almas,
ai! com letras se elabora…
E dos venenos humanos
sois a mais fina retorta:
frágil como o vidro
e mais que o são poderosa!

Reis, impérios, povos, tempos,
pelo vosso impulso rodam… 

Cecília Meireles

 

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500 anos de alemães no Brasil

Publicado em http://hdbr.hypotheses.org/4968 em 02/05/2014.

Imagem 211 Em 7 e 8 de maio, acontece o Simpósio 500 Anos de Alemães no Brasil, realizado pela Área de Língua e Literatura Alemã do Departamento de Letras Modernas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, inaugurando a exposição Iconografia na Coleção Mindlin de Livros Alemães do Século XVI ao Século XX – ambos na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin da USP. A programação completa do Simpósio está disponível em http://sce.fflch.usp.br/node/1711. Os eventos, complementares, são promovidos por duas equipes: o Grupo de Pesquisas RELLIBRA – “Relações Linguísticas e Literárias Brasil-Alemanha”, fundado e certificado em 1993, credenciado na USP e no CNPq, coordenado pela Profa. Dra. Celeste Henriques Marquês Ribeiro de Sousa (DLM-FFLCH-USP); e a equipe de Catalogação, descrição e edição de documentos impressos em língua alemã na Brasiliana Digital, coordenada pelo Prof. Dr. José da Silva Simões (DLM-FFLCH-USP), vinculada ao Grupo de Pesquisas Humanidades Digitais, também cadastrado como grupo de pesquisa no CNPq, e sediado na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin entre 2011 e março de 2014.

Ilustração em "Nova genera et species plantarum [...]" . Arquivo Digital da Brasiliana USP, http://www.brasiliana.usp.br/node/1102
Ilustração em “Nova genera et species plantarum […]” . Arquivo Digital da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mildlin,  USP.
O Grupo de Pesquisas Humanidades Digitais anuncia esses eventos com muito orgulho. O trabalho com a – riquíssima – coleção de textos em alemão no acervo da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin da USP começou, em 2010, no âmbito de nosso Grupo, com a chegada do Prof. José da Silva Simões, que coordenou diversos projetos dedicados a apoiar a Biblioteca na catalogação das obras escritas em alemão entre 2010 e 2014. São produtos dessa época diversos trabalhos de tradução e adaptação de obras em alemão do acervo da BBM, alguns deles anunciados neste blog (aqui, aqui, e aqui). Esse nosso orgulho em anunciar o evento vem de dois lados (aparentemente) opostos. Primeiro, um lado mais imediato e compreensível (e de fato, um pouco maternal) – o orgulho de ver a competência, a relevância e a beleza de um projeto nascido no contexto do ambiente de pesquisas que tentamos implementar na Biblioteca desde 2009 – de fato, quatro anos antes do edifcio que a abriga ser inaugurado, em 2013.

Tatuagem tradicional de habitante de Nukuhiwa. Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin - USP, acesso em 03-julho-2013
Tatuagem tradicional de habitante de Nukuhiwa. Arquivo Digital da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, USP.

Segundo, um lado diametralmente oposto –  o orgulho agridoce de ver uma criança crescer e caminhar, independente, pelo mundo. Pois hoje os projetos da área de tradução em língua alemã originalmente abrigados em nosso grupo ganham novas dimensões, autônomas e maduras, como é esperado dos bons projetos. Muito além dos objetivos originais do nosso grupo – que se focavam, fundamentalmente, na extroversão do acervo com base nas tecnologias digitais – os projetos na área de alemão agora alcançam novos horizontes, muito mais amplos, como se vê nesse Simpósio e na sua discussão extremamente rica sobre a presença dos alemães no Brasil desde o século XVI. Assim deve ser – assim é o destino das boas – das excelentes – parcerias de pesquisa. Nesse contexto, nos permitimos aproveitar das prerrogativas do orgulho materno para salientar a felicidade do encontro entre a Biblioteca  Mindlin da USP e o grupo responsável pela organização deste Simpósio, capitaneado por José Simões e Celeste Ribeiro de Sousa. Esses pesquisadores chegaram, magistralmente, a um objetivo que poucos atingem (um objetivo a que poucos, de fato, almejam): transformaram uma latência em uma potência. Ou seja: transformaram o tesouro escrito em alemão encerrado no acervo da Brasiliana Mindlin da USP em um universo vivo, trabalhável, muito além da latência – transmutação, que, afinal, é própria do milenar ofício da tradução, e do muito mais recente ofício da digitalização. Trata-se, nos dois casos de traduzir  – afinal – num sentido profundo.

Mensageiro da província de Jaén Bracamoros (Detalhe). No livro Des Freiherrn Alexander von Humboldt und Aimé Bonpland Reise (…), Volume 4. Acervo da Brasiliana USP.
Mensageiro da província de Jaén Bracamoros (Detalhe). No livro Des Freiherrn Alexander von Humboldt und Aimé Bonpland Reise (…), Volume 4. Acervo da Brasiliana Guita e José Mindlin, USP

O nascimento dessas obras em nova forma – em novo formato, em nova língua, em novo momento histórico- representa, assim, a tarefa mais solene das humanidades desde a antiguidade – e-ditar, trazer à luz. A tradução, entretanto, está talvez entre as mais injustiçadas das artes (traduttore, traditore!), certamente por culpa da nossa incompreensão frente à tarefa imensa e dilacerante do tradutor, esse transmutador – esse alquimista das idéias. A digitalização, notemos, não é menos incompreendida, e não é menos injustiçada. E envolve, também ela, uma alquimia, uma transmutação poderosa: do papel para a tela, dos traços em pena para os bits – uma tradução material. O trabalho do tradutor-digitalizador, portanto, talvez esteja entre os mais ingratos, entre os menos apreciados… Mais uma razão para o nosso aplauso, nossa admiração e nosso orgulho pelo trabalho dos tradutores-digitais dos projetos da área de alemão do nosso Grupo de Pesquisas, e por seu Simpósio. Parabéns a todos! Aguardamos o Simpósio e a exposição com grande antecipação.

Tudo ao mesmo tempo agora – o mapa sincronológico de Sebastian Adams

Publicado em http://hdbr.hypotheses.org/4918 em 07/04/2014

Adams' Synchronological Chart of Universal History. David Rumsay Map Collection
Adams’ Synchronological Chart of Universal History. David Rumsay Map Collection

O “Mapa Sincronológico da História Universal – pelos olhos da mente” [1] pode ser considerado o mais perfeito exemplo da fúria pela sintetização visual da história, com sua narrativa ilustrada de mais de cinco mil anos de eventos: de Adão e Eva no Paraíso, passando pela Torre de Babel, acensão e queda do Império Romano, formação das grandes dinastias europeias e orientais, grandes navegações, invenção da máquina a vapor… figuras e linhagens vão se desenrolando até chegar ao fim apoteótico do mapa: os primeiros presidentes dos Estados Unidos da América.

Adams' Synchronological Chart of Universal History. David Rumsay Map Collection. [Detalhe]
Adams’ Synchronological Chart of Universal History. David Rumsay Map Collection.
[Detalhe – Dinastias Ibéricas]
Terreno rico para reflexões sobre as formas pelas quais as diferentes sociedades humanas constroem e representam suas narrativas – como por exemplo as de [2], [3] ou [4] (referências abaixo).

Adams' Synchronological Chart of Universal History. David Rumsay Map Collection. [Detalhe]
Adams’ Synchronological Chart of Universal History. David Rumsay Map Collection.
[Detalhe – século XV]
O Mapa, projeto visionário do norte-americano Sebastian Adams, foi lançado em diversas edições entre 1871 e 1885, inicialmente como edição independente financiada por assinantes e ao final como grande sucesso de vendas (cf. [2]). Era composto na forma de um livro de cerca de setenta centímetros de altura contendo uma faixa de sete metros de comprimento – e podia ser visualizado no próprio livro, abrindo-se a faixa por partes; ou a faixa podia ser retirada e pendurada em (grandes) paredes.

Hoje ainda é possível comprar algumas edições originais do livro de Adam em leilões, algumas edições posteriores em sebos norte-americanos, como essa, ou mesmo reproduções recentes da faixa separada.

Recentemente uma edição digital do mapa foi lançada pelo site da coleção David Rumsay [5], de onde vem as figuras que ilustram o post. A edição digital é muito boa, com uma reprodução em alta definição, na qual é possível examinar o mapa com muito detalhe.

Por  outro lado, não se tem uma boa visão geral do mapa, pois naturalmente a faixa inteira, com seus sete metros de comprimento, só cabe na tela de um computador em dimensões muito reduzidas.

Fica, assim, para os olhos da nossa mente visualizar a expressão no rosto de uma criança nos idos de 1890 ao abrir um livro desses e ir desdobrando aos poucos aquele papel infinito cheio de figuras de armas e navios, e a vertigem de uma outra criança ao rodar as paredes de uma sala de escola vendo sucederem-se tantos nomes de reis.

 

Veja abaixo as referências dos links e algumas sugestões de leitura

 

Adams' Synchronological Chart of Universal History. David Rumsay Map Collection.  [Detalhe - hieróglifos]
Adams’ Synchronological Chart of Universal History. David Rumsay Map Collection.
[Detalhe – hieróglifos]
Imagem 082
Adams’ Synchronological Chart of Universal History. David Rumsay Map Collection
[Detalhe: 1492].
Adams' Synchronological Chart of Universal History. David Rumsay Map Collection. <br/>[Detalhe]
Adams’ Synchronological Chart of Universal History. David Rumsay Map Collection. [Detalhe: Adão e Eva].
Adams' Synchronological Chart of Universal History. David Rumsay Map Collection.
Adams’ Synchronological Chart of Universal History. David Rumsay Map Collection.
[Visão geral]

[1] Adams, Sebastian C. Adams’ Synchronological Chart of Universal History. Through the Eye to the Mind. A Chroesnological chart of Ancient, Modern and Biblical History, Synchronized by Sebastian C. Adams. Third Edition and Twelfth-Thousand carefully and critically revised and brought down to 1878. Colby & Co. Publishers, 39 Union Square, New York. The Strowbridge Lithographing Company, Cincinnati, O. Entered According to Act of Congress in the Year A.D. 1871, by S.C. Admas, in the Office of the Librarian of Congress at Washington, D.C.

[2] Rosenberg, Daniel & Grafton, Anthony. Cartographies of Time: A History of the Timeline. Princeton Architectural Press, 2013.

[3] Popova, Maria. Cartographies of Time – A chronology of one of our most inescapable metaphors, or what Macbeth has to do with Galileo. 02/07/2012. http://www.brainpickings.org/index.php/2012/02/07/cartographies-of-time/

[4] Friendly, Michael; Sigal, Matthew; Harnanansingh, Derek. The Milestones Project: A Database for the History of Data Visualization. http://datavis.ca/papers/MilestonesProject.pdf

[5] (Composite of) Adams’ Synchronological Chart of Universal History. Edição Digital, David Rumsay Collection. http://www.davidrumsey.com/luna/servlet/detail/RUMSEY~8~1~226099~5505934:-Composite-of–Adams–Synchronologi

[6] Nàdia Revenga, Nàdia. Mapas y líneas del tiempo: propuestas de visualización de la información contenida en la base de datos CATCOM. http://www.uqtr.ca/TEATRO/teapal/TeaPalNum07Rep/05RevengaNadia.pdf

 

Marco Civil da Internet e Neutralidade da Rede – para entender o debate

Publicado originalmente em http://hdbr.hypotheses.org/4863, em 24/03/2014.

"Internet Livre". Fonte: http://www.facebook.com/MarcoCivilJa/photos
“Internet Livre”. Fonte: http://www.facebook.com/MarcoCivilJa/photos

Os debates em torno do “Marco Civil da Internet” tem sido intensos no Brasil desde que começaram as negociações em torno da votação do Projeto de Lei 2126, de 2011  (cf. [13]) – e, tanto nas mídias tradicionais como nos blogs e redes sociais, há muito que ler sobre o assunto. Como é provável que a votação do Projeto no Congresso aconteça nesta semana (cf. [9]), preparei aqui uma seleção de artigos, debates e entrevistas sobre o tema.

Mas “… o que o Marco Civil e a Neutralidade da Rede tem a com as Humanidades Digitais?“.

Na minha visão – tudo. Como participantes ativos disso a que se convencionou chamar “a internet“, os “humanistas digitais” tem a obrigação do olhar crítico sobre o meio em que trabalham e que ajudam a construir. E, para quem trabalha na, com, ou sobre “a internet” no Brasil, compreender o debate em torno da neutralidade da rede é um elemento crucial dessa capacidade crítica.

Para entender a importância desse processo, precisamos, antes de mais nada, entender que “a  internet” não existe: esse é apenas um termo que usamos para nos referir ao modo como produzimos e fazemos circular informações hoje (cf. meu artigo recente em [18]). .

A “internet” –  isto é, o ideário do compartilhamento, do acesso aberto e da publicação descentralizada – não é um fenômeno da ordem da técnica, e sim da ordem da política. Ou seja: a “internet”  pode ser assim porque foi pensada assim, porque muitos trabalharam para que fosse assim – e, portanto, sendo uma construção política, a liberdade e a abertura da internet estão sempre, por definição, em constante ameaça. Com perdão do lugar-comum – o fato é que o preço dessa liberdade é mesmo a eterna vigilância. Pois a apropriação das vias que permitem esse modo de difusão de informações por grandes corporações privadas visando o lucro significaria o fim dos nossos esforços e trabalhos para a construção de uma sociedade de conhecimento crítica, aberta, e radicalmente democrática.  Na minha visão, significaria, no limite, o fim da “internet“.

É nesse espírito que listo os links abaixo, com artigos e matérias jornalísticas interessantes sobre  o Marco Civil, a neutralidade da rede e outros pontos importantes atualmente em discussão. Entre todos, está especialmente interessante o debate realizado em dezembro de 2013 pela Revista Fórum, com Sérgio Amadeu e Marilena Chauí [1] – imperdível.

Boas leituras!

Artigos, Debates, Entrevistas e Documentos sobre o Marco Civil da Internet 

Debates

[1] Revista Fórum. Marco Civil e Sociedade Informacional. Debate com Marilena Chauí e Sérgio Amadeu, mediado por Renato Rovai. 18/12/2013. http://revistaforum.com.br/digital/130/tv-forum-marco-civil-e-sociedade-informacional/

Entrevistas. 

[2] UNE, União Nacional de Estudantes. “A Neutralidade da rede protege o futuro da internet“. Entrevista de Sérgio Amadeu a Renata Bars. 11/03/2014. http://www.une.org.br/2014/03/%E2%80%98%E2%80%99a-neutralidade-de-rede-protege-o-futuro-da-internet%E2%80%99%E2%80%99-afirma-sergio-amadeu/

Artigos e notícias
(por ordem cronológica quando possível)

[3] Borges, Bruno. O que é o Marco Civil da Internet e como ele pode impactar nossas vidas. O Tempo – Blogs. 21/03/2014. http://www.otempo.com.br/blogs/tecnologia-e-m%C3%ADdia-19.246340/o-que-%C3%A9-o-marco-civil-da-internet-e-como-ele-pode-impactar-nossas-vidas-19.246784

[4] Moncau, Luiz Fernando Marrey. Oito perguntas sobre o marco civil da internet que você tinha vergonha de fazer. Blog Gizmodo. 19/03/2014. http://gizmodo.uol.com.br/8-perguntas-sobre-o-marco-civil-da-internet/

[5] Ramos, Pedro Henrique Soares. Neutralidade de rede e inclusão social. Artigo no Blog Link. 18/03/2014. http://blogs.estadao.com.br/link/artigo-neutralidade-de-rede-e-inclusao-social/

[6] Garcia, Raphael Tsavkko. Marco civil da internet: liberdade, neutralidade e privacidade. Artigo no site Congresso em Foco. 14/03/2014. http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/marco-civil-da-internet-liberdade-neutralidade-e-privacidade/

[7] Silveira, Sérgio Amadeu da. A Rede e a liberdade de criação. Artigo na Sessão Tendências e Debates, Folha de São Paulo. 01/04/2013. http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2013/04/1255169-sergio-amadeu-da-silveira-a-rede-e-a-liberdade-de-criacao.shtml

[8] Veloso, Thássius. Marco Civil: Neutralidade da rede está em risco após acordo do governo com teles. Tecnoblog, Diário tecnológico. Sem data. http://tecnoblog.net/151586/marco-civil-neutralidade/

Notícias e reportagens recentes

[9] Jornal do Brasil. Marco Civil na internet deve ser votado esta semana. 23/03/2014. http://www.jb.com.br/pais/noticias/2014/03/23/marco-civil-na-internet-deve-ser-votado-esta-semana/

[10] O Estado de São Paulo. Marco Civil da Internet: o que é e por que é alvo de debate. Seção Radar Político. 18/03/2014. http://blogs.estadao.com.br/radar-politico/2014/03/18/marco-civil-da-internet-o-que-e-e-por-que-e-alvo-de-debate/

[11] Portal Terra. Marco Civil da Internet: O que muda na sua vida. Sem data. http://tecnologia.terra.com.br/marco-civil/

[12] IDEC, Instituto de Defesa do Consumidor. Neutralidade da rede: entenda o significado e a importância do conceito. Sem data. http://www.idec.org.br/consultas/dicas-e-direitos/neutralidade-da-rede-entenda-o-significado-e-a-importancia-do-conceito

Documentos

[13] Brasil, Câmara dos Deputados. Projeto de Lei 2126/2011 – Inteiro Teor. 24/08/2011. http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=912989&filename=PL@126/201

[14] CGI, Comitê Gestor da Internet no Brasil. O CGI.br e o Marco Civil da Internet. Documentos do CGI. http://www.cgi.br/publicacoes/documentacao/CGI-e-o-Marco-Civil.pdf

Páginas de apoio ao Marco Civil:

[15] http://marcocivil.org.br/
[16] http://marcocivil.com.br/
[17] https://www.facebook.com/MarcoCivilJa

Meu artigo com a afirmação de que a internet não existe:

[18] PAIXÃO DE SOUSA, Maria Clara. Texto digital: Uma perspectiva materialRevista ANPOLL (Associação Nacional de Pós–Graduação e Pesquisa em Letras e Lingüística). Volume 1, Número 35, 2013. ISSN: 1982-7830. Disponível em http://www.anpoll.org.br/revista/index.php/revista/article/view/643/712