A volta ao mundo das Humanidades Digitais em 80 dias: O grupo Hímaco

AHDig

Imagem 224O projeto Around DH in 80 Days é uma iniciativa da Global Outlook :: Digital Humanities que está apresentando uma série de trabalhos identificados com o campo das Humanidades Digitais no mundo todo, em oitenta dias.

No dia 56, o projeto fez sua segunda parada em terras lusófonas: o grupo em pauta é o Hímaco – História, Mapas e Computadores, participante da rede AHDig.

Na página do AroundDH, é possível ver o mapa dos projetos apresentados desde o começo da “volta” – que já passou pelos cinco continentes, visitando projetos novos e mais antigos, e fornecendo uma visão abrangente e inclusiva das iniciativas em HD nos últimos anos. Como explicam seus idealizadores neste post de apresentação, entretanto, o objetivo do projeto vai além de um mapeamento panorâmico: a ideia, de fato, é aproveitar o panorama para redefinir a ideia que temos das Humanidades Digitais – saindo um pouco da…

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AHDig: 100 participantes

Publicado em AHDig.org em 31/07/2014

AHDig

AHDig_100_novoA AHDig, fundada em outubro de 2013, chegou neste mês de julho de 2014 aos 100 participantes inscritos.

Esta é uma grande conquista para a Associação, e marca um momento propício para fazermos um balanço do nosso perfil coletivo, e, principalmente, para planejarmos nosso futuro.

Para dar partida aos debates, trazemos aqui um breve panorama quantitativo sobre essas primeiras inscrições – logo mais, apresentaremos uma reflexão mais detida sobre os projetos e as propostas de debates trazidas por cada participante da rede.

Nesse aspecto mais panorâmico, é interessante notar que entre nossos 100 primeiros participantes há pesquisadores de cinco países, trinta e cinco instituições e vinte e três áreas do conhecimento; as Figuras 1, 2 e 3, que descrevemos mais adiante, ilustram esse universo em maior detalhe.

Nossa rede, de fato, forma agora um universo extremamente interessante e diverso. Os projetos trazidos pelos participantes em suas inscrições – alguns já…

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“Ciencias Sociales y Humanidades Digitales”

Publicado em 3/06/2014 em http://hdbr.hypotheses.org/5062

Ciencias Sociales y Humanidades Digitales. CAC, Cuadernos Artesanos de Comunicación, 61.
Romero Frías, E. y Sánchez González, M. (eds.) (2014). Ciencias Sociales y Humanidades Digitales (…). CAC, Cuadernos Artesanos de Comunicación, 61.

Ciencias Sociales y Humanidades Digitales: Técnicas, herramientas y experiencias de e-Research e investigación en colaboración” [1], lançado recentemente como livro digital para leitura aberta e gratuita, é um volume de grande interesse para o campo das Humanidades Digitais.

A publicação coletiva, iniciativa do Grupo de Aprendizaje e Investigación en Internet da Universidade de Granada (GrinUGR), pretende ‘difundir as pesquisas atualmente realizadas no campo das ciências sociais e das humanidades digitais em ambos os lados do Atlântico, refletindo assim a pluralidade de perspectivas que hoje em dia existem na comunidade acadêmica hispânica’ [2].

O livro é organizado por Esteban Romero Frías e María Sánchez González e prefaciado por Paul Spence e Nuria Rodríguez Ortega, e compreende doze capítulos, divididos em três grandes blocos: I. Investigaciones en torno al estado de la cuestión de las Humanidades Digitales y la e-Research y fenómenos afines estudio, II. Potenciales usos de Internet y de la Web social para la investigación en Ciencias Sociales y Humanidades, e III. Experiencias sobre investigación colaborativa y sobre enseñanza-aprendizaje en el contexto de la e-Research y las Humanidades Digitales. Os textos, em todos os blocos, estão unidos pelo objetivo central dos editores: mostrar, por meio da apresentação de projetos e da discussão metodológica e teórica, o estado da arte das Humanidades Digitais nos países de fala hispânica.

 De derecha a izquierda: Mapas temporales, pre-1990, pre-2000 y actual que muestra el crecimiento y la expansión global de las HD.
‘De derecha a izquierda: Mapas temporales, pre-1990, pre-2000 y actual que muestra el crecimiento y la expansión global de las HD’. Figura 2 em Ortega & Gutiérrez (2014:110).
Figura 6.
‘Vista general de las conexiones entre disciplinas identificadas’. Figura 6 em Ortega & Gutiérrez (2014:115).

Numa primeira leitura, interessou-nos particularmente o capítulo MapaHD. Una exploración de las Humanidades Digitales en español y portugués, de Elika Ortega e Silvia Eunice Gutiérrez. O capítulo mostra um mapeamento realizado por meio de uma pesquisa nos ambientes virtuais da comunidade ao longo de 2013 – e que incluiu as iniciativas em Humanidades Digitais no mundo de fala hispânica e os grupos e projetos no âmbito da língua portuguesa, como a AHDig, o nosso Grupo de Pesquisas Humanidades Digitais, e o I Seminário Internacional em Humanidades Digitais no Brasil. Assim, já conhecíamos a iniciativa de mapeamento das autoras, por termos participado do questionário amplamente divulgado nos ambientes virtuais da comunidade no ano passado.

Os resultados desse mapeamento são muito interessantes, não apenas pelos números apurados, mas sobretudo pela análise extremamente atenta e delicada realizada pelas autoras a partir deles.

Alguns dos aspectos que impressionam, nesse sentido, são o crescimento das iniciativas em HD na última década (de forma particularmente aguda desde o ano de 2013), o espalhamento dessas iniciativas por diversos países da Europa e da América (41 países ao todo), e a disposição interdisciplinar mostrada pelos pesquisadores identificados com as HD no mundo hispânico e lusófono (entretanto, com uma acentuada pendência para o eixo ligado às pesquisas com a língua: estudos literários, filologia e linguística).

Terminamos essa breve resenha recomendando enfaticamente a leitura de “Ciencias Sociales y Humanidades Digitales” a todos os interessados no campo das Humanidades Digitais, e congratulando seus editores pela iniciativa – tanto por conta da qualidade e relevância acadêmica do volume, como pelo projeto inovador e democrático do lançamento em formato digital amplamente disponível para leitura.

 

 

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[1] Referência completa:

Romero Frías, E. y Sánchez González, M. (eds.) (2014). Ciencias Sociales y Humanidades Digitales Técnicas, herramientas y experiencias de e-Research e investigación en colaboración. CAC, Cuadernos Artesanos de Comunicación, 61. Disponible en:
http://www.cuadernosartesanos.org/2014/cac61.pdf

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[2] Trecho traduzido da Página de lançamento:

“… dar difusión a las investigaciones que se están realizando en el campo de las Ciencias Sociales y Humanidades Digitales a ambos lados del Atlántico, reflejando así la pluralidad de perspectivas que hoy en día existen en la comunidad académica hispana“, cf. http://grinugr.org/biblioteca-de-medios/libro-ciencias-sociales-y-humanidades-digitales-tecnicas-herramientas-y-experiencias-de-e-research-e-investigacion-en-colaboracion/.

Abertura da Exposição ‘500 anos de alemães no Brasil’

Publicado em 13/05/2014 em http://hdbr.hypotheses.org/5043

Fala de José da Silva Simões
na abertura da Exposição 500 anos de alemães no Brasil,
na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin,
em 07/05/2014

Imagem de MARTIUS, Carl Friedrich Philipp von - Nova genera et especies plantarum, 1824. vol. 2.
Imagem de MARTIUS, Carl Friedrich Philipp von.
Nova genera et especies plantarum, 1824. vol. 2.
Acervo da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, USP.

Em uma época em que as palavras escritas parecem ser efêmeras, parece surpreendente que continuemos a nos dedicar aos livros.

Parece estranho colecionar palavras encerradas em arcas, que à distância parecem um revestimento de parede inerte, estático, insólito, obscuro. Em minha carreira de leitor o fascínio por essas arcas mágicas sempre me mostrou que elas tinham vida. Sei que esse fascínio é comum a muitos de nós que nos reunimos aqui para celebrar o registro da memória. Como professor de crianças e adolescentes durante duas décadas, muitas vezes tive a felicidade de ver esse mesmo fascínio nos olhos de meus alunos, investigando-os como objetos inicialmente inertes e obscuros, mas transformando-se em borboletas coloridas como aquelas ali de Carl Friederich Philipp von Martius, tão logo os abriam para a leitura curiosa.

Hoje eu tenho a honra de ajudar a exibir aqui uma preciosa coleção de olhares sobre o nosso país. As imagens que veremos nesta exposição são como um espelho de nós mesmos. Estão apenas emolduradas pelos amigos de outras terras que nos visitaram e que desde o princípio insistiram em dizer que esse país era uma história verdadeira. Ontem, durante a montagem da exposição, dei-me conta de que os três primeiros livros que estão na entrada da exposição, de Hans Staden, Sebastian Franck e Ulrich Schmidel têm o mesmo adjetivo em seu título: wahrhaftige Historia, wahrhaftige Beschreibungen, warhafftige und liebliche Beschreibung… Deve ter sido um protocolo quinhentista insistir que o que ali se narra não é ficção, mas sim a pura e fascinante realidade do que éramos e do que ainda somos. Imagino que ler Hans Staden no século XVI precisasse mesmo da chancela do gênero jornalístico da época, era preciso acentuar que aquilo tudo era verdadeiro e não obra da imaginação de um viajante enlouquecido.

MARTIUS, Carl Friedrich Philipp von - Beitrãge zur Ethnographie und Sprachenkunde Amerika’s zumal Brasiliens, 1867. vol. 1.
Imagem de MARTIUS, Carl Friedrich Philipp von.
Beitrãge zur Ethnographie und Sprachenkunde Amerika’s zumal Brasiliens, 1867. vol. 1.
Acervo da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, USP.

Isso tudo que digo não teria sentido se eu não lembrasse aqui quem nos permite hoje o prazer de ver tantas verdades reunidas: o Dr. José Mindlin e sua esposa, Sra. Guita Mindlin, aqui representados por sua família, as senhoras Betty Mindlin, Diana Mindlin e Sonia Mindlin e o Sr. Sérgio Ephim Mindin. Nem preciso dizer o quanto gostaríamos que eles estivessem aqui para ver como dispusemos algumas de suas preciosidades, como reorientamos o olhar que estes livros atraem, como eles fazem sentido de conjunto assim alinhados. É como uma brincadeira infantil de dispor todos os impressos que temos em casa como uma pequena feira de livros: a velha estratégia de ler um livro por suas imagens ou de atrair leitores pelo lúdico que lhes é próprio. Esta universidade tem um dívida impagável com a família Mindlin e fico contente que o produto dessa dívida sejam peças tão preciosas. Se não me engano e se não aprendi errado a lição, quando deixamos de ser colônia de Portugal, creio que uma das primeiras dívidas externas do Brasil foi uma lista interminável de preciosíssimos livros que hoje vivem na nossa riquíssima Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Que dívida linda!

E por falar em dívida, não posso deixar aqui de pagar o meu soldo àqueles que nos inspiraram a rearranjar este conjunto de livros alemães assim como estão. Quero agradecer enormemente à Profa. Dra. Maria Clara Paixão de Sousa pelo convite tão honroso que me fez para participar deste projeto de catalogação de obras alemãs sobre o Brasil em 2009. Permito-me aqui a ler uma parte do que ela escreveu sobre este simpósio+exposição em seu blog de humanidades digitais. Ela diz:

“Esses pesquisadores chegaram, magistralmente, a um objetivo que poucos atingem (um objetivo a que poucos, de fato, almejam): transformaram uma latência em uma potência. Ou seja: transformaram o tesouro escrito em alemão encerrado no acervo da Brasiliana Mindlin da USP em um universo vivo, trabalhável, muito além da latência – transmutação, que, afinal, é própria do milenar ofício da tradução, e do muito mais recente ofício da digitalização”.

Querida Maria Clara, essa transmutação só foi possível pela energia que você depositou sobre nós.

KOCH-GRUNBERG, Theodor - Vom Roraima zum Orinoco [...], 1917. vol. 1. Acervo da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, USP.
Imagem de KOCH-GRUNBERG, Theodor.
Vom Roraima zum Orinoco […], 1917. Vol. 1.
Acervo da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, USP.

A ideia de trabalhar com a iconografia desses livros é originalmente da bibliotecária Daniela Pires. Maria Clara e eu somos mensageiros acadêmicos dessa linda ideia de Daniela. A ela agradeço imenso pela sua dedicação aos alunos da Área de Língua e Literatura Alemã, hoje aqui representados por Luciana de Fátima Cândido, Gabriela Kühnel e os mais recém-chegados ao projeto e não menos engenhosos amantes dos livros Olívia Yumi e Luiz Fernando da Costa Leite. Estão ausentes hoje os alunos Jonatas Amaral e Luiz Ricardo Gonçalves. Os dois estão vivendo agora na Alemanha, fizeram a viagem de volta dos livros. Devem estar contando lá do outro lado do oceano tentando convencer aos alemães de além mar que somos uma história verdadeira, eine wahrhaftige Geschichte. Todos se destacam pela maestria da bibliotecária-mor, a nossa querida Cristina Antunes, dona das histórias para além das histórias que esses livros retratam e que hoje à tarde vai nos brindar com seu relato sobre como se construiu uma brasiliana alemã na biblioteca mágica dos Mindlin. A todos eles agradeço enormemente a dedicação das últimas semanas que culminam no que se vê exposto aqui, fruto de um trabalho cuidadoso feito desde 2010.

Agradeço a presença dos curiosos, porque deles é o reino da Ciência. Sem curiosidade não há perguntas. Sem perguntas não há Ciência.

Agradeço ao Instituto Martius-Staden, ao Sr. Ekhard Kupfer pelo empréstimo dos 15 almanaques, Kalender, produzidos por imigrantes alemães no sul do Brasil e também à Sra. Ana Rüsche, criadora do lindo logotipo deste evento. Sua inventividade fez caber 500 anos de relações entre povos de língua alemã em uma imagem que retrata um óculos que nos faz enxergar o Brasil pelo olhar alemão. Agradeço à diretoria da Biblioteca Guita e José Mindlin, ao Prof. Dr. Carlos Guilherme Mota e à Profa. Dra. Giuliana Ragusa pela presença e pela anuência em favor da realização desta exposição.

 A exposição ficará aberta de hoje até o mês de julho. Muito obrigado pela presença de todos e convido-os a passarem ao Auditório István Jancsó, que carrega o nome do professor desta universidade que juntamente com o Dr. Mindlin viabilizou o início da viagem mágica dos livros do Brooklin até o Butantã. O simpósio acontece nestes dois dias com a presença de convidados meus e da Profa. Celeste Ribeiro de Sousa, minha colega do programa de pós-graduação da Área de Língua e Literatura Alemã. Obrigado.

      • Maria Arminda do Nascimento Arruda
      • Betty Mindlin
      • Diana Mindlin
      • Sérgio Ephim Mindlin
      • Sonia Mindlin

Ai, palavras, ai palavras,
que estranha potência, a vossa!
Ai, palavras, ai palavras,
sois o vento, ides no vento,
e, em tão rápida existência,
tudo se forma e transforma!

Sois de vento, ides no vento,
e quedais, com sorte nova!
Ai, palavras, ai palavras,
que estranha potência, a vossa!

Todo o sentido da vida
principia à vossa porta;
o mel do amor cristaliza
seu perfume em vossa rosa;
sois o sonho e sois audácia,
calúnia, fúria, derrota…

A liberdade das almas,
ai! com letras se elabora…
E dos venenos humanos
sois a mais fina retorta:
frágil como o vidro
e mais que o são poderosa!

Reis, impérios, povos, tempos,
pelo vosso impulso rodam… 

Cecília Meireles

 

500 anos de alemães no Brasil

Publicado em http://hdbr.hypotheses.org/4968 em 02/05/2014.

Imagem 211 Em 7 e 8 de maio, acontece o Simpósio 500 Anos de Alemães no Brasil, realizado pela Área de Língua e Literatura Alemã do Departamento de Letras Modernas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, inaugurando a exposição Iconografia na Coleção Mindlin de Livros Alemães do Século XVI ao Século XX – ambos na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin da USP. A programação completa do Simpósio está disponível em http://sce.fflch.usp.br/node/1711. Os eventos, complementares, são promovidos por duas equipes: o Grupo de Pesquisas RELLIBRA – “Relações Linguísticas e Literárias Brasil-Alemanha”, fundado e certificado em 1993, credenciado na USP e no CNPq, coordenado pela Profa. Dra. Celeste Henriques Marquês Ribeiro de Sousa (DLM-FFLCH-USP); e a equipe de Catalogação, descrição e edição de documentos impressos em língua alemã na Brasiliana Digital, coordenada pelo Prof. Dr. José da Silva Simões (DLM-FFLCH-USP), vinculada ao Grupo de Pesquisas Humanidades Digitais, também cadastrado como grupo de pesquisa no CNPq, e sediado na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin entre 2011 e março de 2014.

Ilustração em "Nova genera et species plantarum [...]" . Arquivo Digital da Brasiliana USP, http://www.brasiliana.usp.br/node/1102
Ilustração em “Nova genera et species plantarum […]” . Arquivo Digital da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mildlin,  USP.
O Grupo de Pesquisas Humanidades Digitais anuncia esses eventos com muito orgulho. O trabalho com a – riquíssima – coleção de textos em alemão no acervo da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin da USP começou, em 2010, no âmbito de nosso Grupo, com a chegada do Prof. José da Silva Simões, que coordenou diversos projetos dedicados a apoiar a Biblioteca na catalogação das obras escritas em alemão entre 2010 e 2014. São produtos dessa época diversos trabalhos de tradução e adaptação de obras em alemão do acervo da BBM, alguns deles anunciados neste blog (aqui, aqui, e aqui). Esse nosso orgulho em anunciar o evento vem de dois lados (aparentemente) opostos. Primeiro, um lado mais imediato e compreensível (e de fato, um pouco maternal) – o orgulho de ver a competência, a relevância e a beleza de um projeto nascido no contexto do ambiente de pesquisas que tentamos implementar na Biblioteca desde 2009 – de fato, quatro anos antes do edifcio que a abriga ser inaugurado, em 2013.

Tatuagem tradicional de habitante de Nukuhiwa. Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin - USP, acesso em 03-julho-2013
Tatuagem tradicional de habitante de Nukuhiwa. Arquivo Digital da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, USP.

Segundo, um lado diametralmente oposto –  o orgulho agridoce de ver uma criança crescer e caminhar, independente, pelo mundo. Pois hoje os projetos da área de tradução em língua alemã originalmente abrigados em nosso grupo ganham novas dimensões, autônomas e maduras, como é esperado dos bons projetos. Muito além dos objetivos originais do nosso grupo – que se focavam, fundamentalmente, na extroversão do acervo com base nas tecnologias digitais – os projetos na área de alemão agora alcançam novos horizontes, muito mais amplos, como se vê nesse Simpósio e na sua discussão extremamente rica sobre a presença dos alemães no Brasil desde o século XVI. Assim deve ser – assim é o destino das boas – das excelentes – parcerias de pesquisa. Nesse contexto, nos permitimos aproveitar das prerrogativas do orgulho materno para salientar a felicidade do encontro entre a Biblioteca  Mindlin da USP e o grupo responsável pela organização deste Simpósio, capitaneado por José Simões e Celeste Ribeiro de Sousa. Esses pesquisadores chegaram, magistralmente, a um objetivo que poucos atingem (um objetivo a que poucos, de fato, almejam): transformaram uma latência em uma potência. Ou seja: transformaram o tesouro escrito em alemão encerrado no acervo da Brasiliana Mindlin da USP em um universo vivo, trabalhável, muito além da latência – transmutação, que, afinal, é própria do milenar ofício da tradução, e do muito mais recente ofício da digitalização. Trata-se, nos dois casos de traduzir  – afinal – num sentido profundo.

Mensageiro da província de Jaén Bracamoros (Detalhe). No livro Des Freiherrn Alexander von Humboldt und Aimé Bonpland Reise (…), Volume 4. Acervo da Brasiliana USP.
Mensageiro da província de Jaén Bracamoros (Detalhe). No livro Des Freiherrn Alexander von Humboldt und Aimé Bonpland Reise (…), Volume 4. Acervo da Brasiliana Guita e José Mindlin, USP

O nascimento dessas obras em nova forma – em novo formato, em nova língua, em novo momento histórico- representa, assim, a tarefa mais solene das humanidades desde a antiguidade – e-ditar, trazer à luz. A tradução, entretanto, está talvez entre as mais injustiçadas das artes (traduttore, traditore!), certamente por culpa da nossa incompreensão frente à tarefa imensa e dilacerante do tradutor, esse transmutador – esse alquimista das idéias. A digitalização, notemos, não é menos incompreendida, e não é menos injustiçada. E envolve, também ela, uma alquimia, uma transmutação poderosa: do papel para a tela, dos traços em pena para os bits – uma tradução material. O trabalho do tradutor-digitalizador, portanto, talvez esteja entre os mais ingratos, entre os menos apreciados… Mais uma razão para o nosso aplauso, nossa admiração e nosso orgulho pelo trabalho dos tradutores-digitais dos projetos da área de alemão do nosso Grupo de Pesquisas, e por seu Simpósio. Parabéns a todos! Aguardamos o Simpósio e a exposição com grande antecipação.