Digitalização como tradução material: A tipografia líquida de ‘The Art of Google Books’

Humanidades Digitais

Tabelas que se contorcem, linhas de texto que ondulam como um rio ao longo da página, tipos que crescem e diminuem num balé entontecedor: essa é a beleza das imagens destacadas em The Art of Google Books. Ali, a artista plástica Krissy Wilson extrai, das “falhas técnicas” da digitalização do gigante Google, uma poesia: a poesia da quebra da opacidade pretendida pela representação digital.

É como se, ao longo de uma leitura que já se fazia confortável, subitamente, pelo encontro de uma dessas “falhas”, fossemos acordados do nosso sonho de estar lendo um livro renascentista sobre a previsão do tempo, e percebessemos por um breve instante, meio chocados, que estávamos apenas diante de uma representação do livro. Esse atordoamento provocado pela falha faz um corte no fluxo estável programado para a nossa fruição do objeto representado, e nos faz ver, através do corte, as entranhas do processo que tentou trazer aquele livro…

View original post 705 more words

Advertisements